A audiência pública para discutir os impactos do uso de herbicidas hormonais nas cadeias produtivas do Rio Grande do Sul ocorrida nesta quinta-feira (3), na Assembleia Legislativa, em Porto Alegre, definiu a criação de uma Subcomissão para discutir com entidades e governos a suspensão de herbicidas como o 2,4-D bem como o intervalo temporal de aplicação e projetos de proibição do uso destes defensivos no Rio Grande do Sul. O prazo dos trabalhos será de 120 dias. Também será solicitado o reforço da fiscalização pela Secretária da Agricultura que hoje atua com 70 fiscais.
Proponente da audiência pública promovida pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Pesca e Cooperativismo da Assembleia Legislativa, o deputado Elton Weber será o coordenador da Subcomissão. “Saímos com o compromisso de levar adiante soluções para problema tão sério que compromete a diversificação da produção agrícola do Rio Grande do Sul, com a deriva se alastrando sobre pomares de uva, maçã, oliveiras e a noz pecã”, enumerou Weber.

A audiência foi marcada por relatos fortes dos impactos no meio rural, como abandono de áreas produtivas, recuo de projetos de expansão, queda de produtividade e renda, ameaçando inclusive a sobrevivência de cooperativas que já encontram dificuldades em obter matéria-prima. A procuradora do Ministério Público Estadual (MPE) Ana Maria Marchesan disse que o MPE vem atuando, mas que infelizmente todos os acordos produzidos não tiveram o efeito desejado e que as denúncias criminais não evoluem no Judiciário.
O diretor executivo da Fecovinho, Hélio Marchioro defendeu a diversificação produtiva tão característica do Rio Grande do Sul e criticou a monocultura, alertando para situação insustentável para produtores de uvas e vinhos. O consultor consultivo da Associação Gaúcha dos Produtores de Maçã (Agapomi) José Sozo manifestou preocupação com o comprometimento de empregos e renda no setor. Já o presidente do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), Renato Fernandes, cobrou ação prática contra o cenário que causa abandono de áreas e afasta novos investidores.
Num depoimento indignado, a presidente da Associação Vinhos da Campanha, Rosana Wagner, disse que os prejuízos se acumulam há anos e os responsáveis seguem usando erradamente os herbicidas. “Eu quero saber quem vai pagar o meu prejuízo?”