53ª Sessão Ordinária

Categoria: Pronunciamentos

53ª Sessão Ordinária, quarta-feira, 1 de julho de 2015

 

O SR. ELTON WEBER (PSB) – Saúdo o presidente desta Casa, deputado Edson Brum; o deputado federal Heitor Schuch, ex-presidente da Fetag; o presidente da Fetag, Sr. Carlos Joel da Silva; a secretária-geral da Fetag, Sra. Elisete Kronbauer Hintz; o representante do secretário do Desenvolvimento Rural, Sr. Lino Hamann; o vice-presidente da Fetag, Sr. Nelson Wild; a 2ª vice-presidente da Fetag, Sra. Juliana Dullius Wingert; o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lagoa Vermelha, Sr. Lindomar Moraes; as Sras. e os Srs. Deputados; as pessoas presentes neste plenário e os nossos telespectadores.

 

Agradeço ao deputado João Fischer pela cedência deste espaço para aqui falarmos, nesta tarde, do Grito da Terra Brasil e recebermos os trabalhadores rurais e dirigentes sindicais do nosso Estado.

De forma especial, agradeço a todos os agricultores, assalariados rurais, pecuaristas e familiares que lotam este plenário para prestigiar este grande expediente, bem como os milhares de agricultores que, neste dia, participam do Grito da Terra Brasil.

O Movimento Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, há 21 anos, vem fazendo suas mobilizações e apresentando suas pautas aos governos. É importante frisar que isso é capitaneado pela nossa Contag, junto com as federações, desde 1994, e se transformou num instrumento muito importante das conquistas e políticas públicas para os agricultores familiares e assalariados rurais.

Em nível nacional, destaca-se o papel da agricultura familiar. Aqui estão os agricultores e as agricultoras, homens e mulheres do campo, que fazem o seu trabalho no dia a dia. Mais de 12 milhões de pessoas ali trabalham e geram renda, sendo responsáveis por 70% da produção de alimentos, ocupando apenas 24% da área agrícola. Correspondem a 38% do valor bruto da produção agropecuária nacional.

Além disso, a agricultura familiar é importante na geração de postos de trabalho. A cada 100 hectares de terra, deputados, 15,3 postos de trabalho são gerados pela agricultura familiar, numa contribuição à inclusão social e à geração de renda.

Prova disso é que houve um superávit na balança comercial brasileira nos últimos anos, que se deve, sim, ao setor pecuário, em especial, à produção de alimentos e também, porque não dizer, às exportações, que muito contribuíram para isso.

A força produtiva da economia da agricultura familiar e do trabalho assalariado, associada à dinâmica social, cultural e organizacional do povo do campo, movimenta a economia do interior do Brasil e faz o espaço rural ser um lugar privilegiado de construção, também, de qualidade de vida. É o que também buscamos.

Com sua luta, também garantem o reconhecimento da sociedade e do governo da grande importância da agricultura familiar para os Estados, os Municípios e as comunidades.

Todos temos conhecimento do mapa da economia do nosso Estado. Em mais de 70% dos Municípios, o comércio gira quando há uma safra sendo paga, quando o leite é pago ou quando há entrada dos benefícios previdenciários. Isso tudo é resultado desse trabalho e, também, do Grito da Terra, que há 21 anos busca, luta e tem conquistado espaços e políticas públicas no nosso meio.

A Previdência Social e a aposentadoria são, com certeza, nossa maior conquista, assim como o auxílio-maternidade e os direitos sociais.

Uma política agrícola diferenciada também é importante pois, através dela, muitos agricultores conseguiram se viabilizar e melhorar suas propriedades, seus implementos e as formas de trabalho. Queremos comemorar isso e dizer que somos coparticipantes dessas conquistas. Em muitos momentos, o movimento sindical esteve lá, ajudando inclusive a escrever programas de políticas públicas.

Faço afirmação porque isso foi criado com muitas mãos, com muitas lutas e mobilizações. Muitas das pessoas que hoje estão aqui, com cabelos brancos e mais rugas no rosto, estiveram junto, há 20, 30 anos, batalhando, trabalhando e lutando por melhores condições de vida.

Foram implantados programas como o PAA, PNAE, Susaf e Habitação Rural. Houve uma época em que podíamos financiar, deputado Edegar Pretto, um galpão novo, mas não uma casa. Também se avançou nesse sentido, e houve melhorias.

Também foram implantados diversos programas estaduais de sanidade, o Troca-Troca de Sementes, políticas públicas para a juventude e de acesso à terra, o crédito fundiário – ainda estamos aguardando uma resolução que traga mudanças, para estimular o jovem a ficar no meio rural – e alterações no Código Florestal. Enfim, foram as mais diversas conquistas, as quais não podemos enumerar todas nesta tarde.

Hoje, está acontecendo, aqui em Porto Alegre, a 21º edição gaúcha do Grito da Terra, que também queremos comemorar. Por isso propusemos este Grande Expediente, no qual podemos trazer algumas informações sobre o trabalho feito pelo movimento sindical, pelos agricultores e agricultoras, pelos milhares de dirigentes sindicais que compõem as diretorias dos sindicatos que nesta tarde se fazem presentes.

A Federação dos Trabalhadores da Agricultura – Fetag –, com seus 351 sindicatos filiados, que representa 1 milhão e 200 mil pessoas e assalariados rurais, está presente, hoje, com mais de 3.000 pessoas, agricultores e agricultoras, trabalhadores e trabalhadoras rurais, que vieram a Porto Alegre, deixando momentaneamente, no dia de hoje, suas lidas, vindo de suas propriedades e das comunidades e Municípios do interior do Rio Grande do Sul para exigir direitos e melhores condições de vida para suas famílias e ter, também, garantia de renda, para que os Municípios e as comunidades do interior possam continuar crescendo, se desenvolvendo.

A pauta é extensa; afinal, a economia gaúcha, na grande maioria dos Municípios, depende muito daquilo que temos feito, daquilo que temos trabalhado.

Não podemos esquecer regras, leis e programas que os parlamentos aprovaram, seja este Parlamento, desde da sua existência até hoje, seja o Parlamento federal, que também sempre contribuiu com isso. Esse reconhecimento, é importante que se faça.

Quero dizer da importância também do fato de que, ao mesmo tempo em que estamos aqui, temos diversas comissões negociando as pautas, em várias instituições estaduais e federais, pedindo sugestões para que possamos ter essa resposta das pautas, no dia de hoje, para as justas reivindicações e nossas demandas.

Este é um momento em que, daqui a pouco, também seremos recepcionados e acolhidos pelo governador José Ivo Sartori, para recebermos do centro do governo a resposta de uma pauta com 10 secretarias envolvidas, mais de 60 itens discutidos, que será respondida hoje à tarde, entregue ainda no mês de maio ao secretário do Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo, Tarcísio Minetto, ao governador e também ao secretário Ernani Polo.

As ações desenvolvidas para o dia de hoje provêm de pautas da infraestrutura, dos temas do meio ambiente, da educação, da saúde, da segurança, do Feaper, do programa de forrageiras e do referente a sementes de milho, também do protetor solar, deputado Heitor Schuch. Esperamos ter uma resposta, hoje, de que vai ser ampliado para mais Municípios ainda do que os 129 iniciais.

O Grito da Terra iniciou e teve o seu primeiro ato no ano 2015, no Município de Guarani das Missões, onde nos reunimos no dia 20 de fevereiro. Continuou, depois, em Santa Rosa, no dia 10 de março, em que mais de 2 mil e 500 pessoas se reuniram. O ponto forte foram as questões do leite.

Estivemos também, no dia 27 de março, em Arroio do Meio, com 500 pessoas, para discutir e enfrentar uma das mais importantes crises dos últimos 20 anos, que é a quebra de empresas no setor leiteiro e o não pagamento a produtores.

As ações de responsabilidade das entidades, puxadas pela Fetag, estão em andamento, como o pagamento por qualidade, campanhas de valorização do produto, manutenção dos produtores com irrigação de baixo volume.

Entendemos, inclusive, que é necessário, diante dos incentivos fiscais concedidos a empresas, seja qual for o setor, deputado Tiago Simon, que essas também tenham responsabilidade junto ao produtor, muitas vezes aquele que tem maior dificuldade.

Portanto, incentivos para os setores econômicos, por meio de ICMS e outros tributos, para a compensação fiscal, têm que estar atrelados também a um trabalho junto ao produtor, em termos de assistência, de acompanhamento, e não exclusão desse trabalho que essas pessoas fazem.

Em tempo, ainda quero registrar a presença nas galerias, na primeira fila, do secretário Tarcísio Minetto, que acaba de chegar a este plenário e estará conosco também junto com o governador.

Nas ações de cunho governamental, precisamos sempre estar atentos e avançar, independentemente de qualquer questão.

Hoje pela manhã, o presidente Joel dizia, no carro de som, que movimento sindical é movimento sindical, governos são governos, e cada um tem a sua função. Entendo que isso traduz muito bem o trabalho da Fetag e o trabalho do movimento sindical.

Certamente, temos de participar da política, mas não podemos esquecer – e O Grito da Terra tem priorizado isso – de manter com os governos um diálogo franco e direto e também de pressão quando se faz necessário.

No dia 10 de abril, 2 mil pessoas foram a Venâncio Aires participar de uma mobilização pelas questões da fumicultura. O deputado Pedro Pereira, que sempre está junto conosco, esteve lá participando dessa discussão.

Em 7 de maio, o Grito de Alerta Missões e Fronteira Noroeste do Estado, em São Luiz Gonzaga, reuniu 7 mil pessoas, que apresentarem suas pautas, apreensões e preocupações com o meio rural. Esse evento se repete há cinco anos, cobrando, inclusive, ações para combater a corrupção, que, como dissemos no meio rural, é uma das maiores pragas neste País.

O movimento sindical também tem a sua opinião sobre isso e tem se posicionado firmemente para que as ações sejam conduzidas a fim de fazer com que isso pare de acontecer. Muitas vezes falta dinheiro para crédito, seguro agrícola, saúde e educação porque se esvai pelos corredores da corrupção e em tantas outras situações.

Portanto, é a contribuição do Grito da Terra alertar a sociedade. O movimento sindical e os agricultores querem também participar, opinar, contribuir para que não se perpetue essa que é umas das grandes mazelas da nossa sociedade.

O Sr. Gabriel Souza (PMDB) – V. Exa. permite um aparte? (assentimento do orador)

Saúdo o presidente, deputado Edson Brum; o ex-presidente da Fetag, ex-deputado e ex-presidente da Comissão de Constituição e Justiça desta Casa, representante da Câmara dos Deputados, deputado Heitor Schuch; o diretor da Secretaria de Desenvolvimento Rural e Cooperativismo, Lino Hamann; o presidente da Fetag, Carlos Joel da Silva; o vice-presidente da Fetag, Nelson Wild; as diretoras da Fetag, Elisete Hintz e Juliana Dullius; o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lagoa Vermelha, Lindomar Moraes; e todos os agricultores de pequenas propriedades rurais e agricultores familiares do Estado do Rio Grande do Sul que hoje visitam a Assembleia Legislativa.

Deputado Elton Weber, em nome da bancada do PMDB, parabenizo V. Exa. por trazer esse tema a esta Casa. O Grito da Terra é um tradicional movimento de lutas da nossa agricultura familiar, setor muito importante para a composição do PIB, da economia do setor primário do Rio Grande do Sul.

No ano passado, por exemplo, se não fosse a performance da nossa agricultura, com o apoio da agricultura familiar, teríamos um PIB negativo no Rio Grande do Sul, uma vez que a indústria decaiu e o comércio teve problemas. Portanto, quem segurou as pontas foi a agricultura.

No setor da agricultura, todos são sabedores que o meu partido, o PMDB, não tem preconceitos com o latifúndio, com a média propriedade, mas somos sabedores de que o minifúndio, a agricultura familiar é, de fato, a parte da agricultura que mais gera emprego e renda, que mais mantém o jovem no campo.

Essa questão que V. Exa. traz hoje aqui, da pauta da Fetag, dos agricultores familiares junto ao governo do Estado, certamente irá colaborar para que essa pauta seja atendida, porque o governo, o poder público tem um papel muito importante no apoio à produção da agricultura familiar, no incentivo à permanência dos jovens no campo e, principalmente, na geração de emprego e renda através do incentivo às pequenas propriedades rurais.

Quero parabenizá-lo novamente, em nome da bancada do PMDB, pelo seu pronunciamento e desde já reforçar o apoio e a presteza da nossa bancada às pautas do setor da agricultura familiar.

Muito obrigado.

O SR. ELTON WEBER (PSB) – Obrigado, deputado Gabriel Souza.

O Sr. Pedro Ruas (PSOL) – V. Exa. permite um aparte? (assentimento do orador)

Saúdo o deputado Elton Weber, o caro presidente Edson Brum, o deputado federal Heitor Schuch e a todos que nos dão a honra de estar aqui no dia de hoje.

V. Exa., deputado Elton Weber, foi muito feliz na escolha do tema. O Grito da Terra para todos nós representa a expressão de uma das lutas mais sérias e importantes que o povo brasileiro trava, particularmente no Rio Grande do Sul: a luta pelo direito à terra e a produzir nela. A importância da agricultura familiar para a nossa economia é muito bem traduzida na fala de V. Exa.

Por isso, em nome do PSOL, quero dizer que essa luta tem a nossa solidariedade e o nosso companheirismo. Os nossos parabéns a V. Exa. por fazer desta tribuna um momento nobre desse enfrentamento, um momento singularmente sério acerca daquilo que podemos e devemos fazer enquanto parlamentares do Rio Grande do Sul.

Parabéns, deputado.

O SR. ELTON WEBER (PSB) – Obrigado, deputado Pedro Ruas.

O Sr. Pedro Pereira (PSDB) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:

Saúdo o presidente Edson Brum; o presidente da Fetag, Sr. Carlos Joel da Silva; o representante do secretário do Desenvolvimento Rural, Sr. Lino Hamann; o vice-presidente da Fetag, Sr. Nelson Wild; os demais diretores; o secretário Tarcísio Minetto; e, em especial, o sempre colega Heitor Schuch, hoje deputado federal.

Parabéns, deputado Elton Weber, pela escolha do tema do grande expediente de hoje. Saúdo V. Exa., em nome da bancada do PSDB, dos deputados Adilson Troca, Zilá Breitenbach e Jorge Pozzobom, e os produtores, produtoras, agricultores e agricultoras.

Não canso de dizer que graças ao homem e à mulher do campo, graças ao setor primário que a minha Canguçu, a minha região, o nosso Estado e o nosso País ainda estão de pé. Vocês trabalham com muita dificuldade e não são reconhecidos. Quem produz leite está vendendo a 70 centavos o litro, e aqui na Capital estamos pagando 3 reais e 40 centavos o litro.

Temos defendido muito os nossos trabalhadores. Tenho muito orgulho de ser oriundo da minha Canguçu, maior minifúndio da América Latina, com 15 mil propriedades rurais, onde temos 65% da população no interior, deputado Elton Weber.

Esse homens e mulheres que trabalham no campo, com muita dificuldade, enfrentando sol, chuva, geada e temporal, são os que ainda mantêm a dignidade deste Estado e deste País.

Quero parabenizá-lo, deputado. Depois, vou me dirigir à frente do palácio, pois certamente a minha região estará lá representada, minha Canguçu e toda região, todo o Estado.

São mais do que justas as reivindicações, porque hoje quem trabalha é quem menos ganha. O atravessador, o intermediário é que ganha sem trabalhar.

Então, o pequeno agricultor tem que ser valorizado. Se quisermos mantê-lo no campo com dignidade, temos que dar as mínimas condições para lá continuar. Estudará quem quiser estudar, mas voltará para o campo para empregar aquilo que foi aprendido. Se o homem do campo não for valorizado, chegará o ponto em que não vamos ter o que comer, ou vamos ter que importar comida apesar do tamanho deste Brasil e deste Estado.

Parabéns a todos que trabalham! Graças aos senhores o Rio Grande e o Brasil ainda continuam de pé.

Muito obrigado e parabéns.

O Sr. Edegar Pretto (PT) – V. Exa. permite um aparte? (assentimento do orador)

Deputado Elton Weber, nossa saudação a V. Exa.

Saúdo o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Edson Brum; o deputado federal Heitor Schuch, ex-deputado desta Casa, ex-presidente da Fetag, grande lutador das causas da agricultura do Rio Grande do Sul e do Brasil; o presidente da Fetag, companheiro Joel, e, na sua pessoa, os diretores e diretoras dessa importante entidade; o titular da Secretaria do Desenvolvimento Rural, secretário Tarcísio Minetto; os queridos agricultores e agricultoras que hoje nos honram com sua visita.

Parabenizo V. Exa., deputado Elton Weber, por trazer, mais uma vez, esse tema tão importante aqui para o Parlamento gaúcho.

V. Exa., este deputado e alguns parlamentares somos ligados ao campo. Com muito orgulho, tenho a minha origem e parte da minha juventude na roça. Estamos aqui nessa luta diária para fazer com que a permanência dos nossos agricultores no campo seja boa não somente para o País, não somente para a produção de alimentos saudáveis, de comida boa, mas que seja boa também para os nossos verdadeiros heróis, responsáveis por produzir o que é essencial para a vida humana, que é o alimento.

Nós, na Assembleia Legislativa, nesta grande luta junto aos movimentos sociais, conquistamos muitas coisas boas até aqui, mas temos enormes desafios pela frente. Sou daqueles que não desprezo o que outros fizeram antes de nós, mas precisamos reconhecer as conquistas e os avanços que tivemos até então.

Nos últimos quatro anos, deputado Elton Weber, também com a participação de V. Exa. e da Fetag, criamos a Secretaria do Desenvolvimento Rural. E a nossa luta será para que não haja retrocesso, secretário Minetto. Queremos que haja mais reforço para a SDR, que se transformou num importante instrumento de política de permanência do homem e da mulher no campo.

Por meio das políticas públicas que fizemos nesse setor, foi possível fortalecer muito a Emater, a pesquisa, a irrigação. Por certo, não foi feito tudo, como eu disse, mas tivemos avanços importantes, tanto no cenário estadual como nacional.

Por fim, deputado Elton Weber, perante os nossos agricultores, quero agradecer também a V. Exa. a luta que está fazendo conjuntamente conosco, com a bancada do meu partido e os demais parlamentares, para fazermos com que o SUSAF, essa nova legislação da agroindústria familiar, possa sair do papel e para que possam vender seus produtos não só em seu Município, com a inspeção municipal, a fim de que o povo de Porto Alegre possa consumir o bom produto que os senhores fazem, com o sabor da roça.

Parabéns à Fetag e à luta dos nossos agricultores.

Muito obrigado.

O Sr. João Fischer (PP) – V. Exa. permite um aparte? (assentimento do orador)

Saúdo o presidente da Assembleia, deputado Edson Brum; o ex-presidente da Fetag, nesta oportunidade representando a Câmara Federal, deputado federal Heitor Schuch, nosso colega de muito tempo e de muitas lutas; o secretário de Estado de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo, Sr. Tarcísio Minetto; o presidente da Fetag, Sr. Carlos Joel da Silva; o vice-presidente da Fetag, Sr. Nelson Wild; a Sra. Elisete Hintz; a Sra. Juliana Dullius; o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lagoa Vermelha, Sr. Lindomar Moraes; e o deputado Elton Weber, que neste momento utiliza a tribuna para saudar os nossos pequenos produtores, que, como todos já falaram, são muito importantes.

A V. Exa., que já foi presidente da Fetag, digo que é um orgulho eu falar em nome da bancada do Partido Progressista e saudar a todos os agricultores e agricultoras.

Criei-me numa pequena propriedade rural e não sou melhor do que ninguém. Sei das dificuldades e do que se enfrenta no dia a dia. E sei das burocracias que muitos governos tentam criar. Se não fosse a Fetag, muitas vezes, nesta Casa ou no próprio Congresso Nacional teríamos mais burocracia e mais dificuldades.

Vou citar algumas questões aqui, que V. Exa. vai lembrar, bem como o deputado Heitor Schuch. Por exemplo, o ministro Turra, quando dirigiu a Agricultura, criou o Pronaf, uma das grandes ferramentas. Talvez um empréstimo não seja a solução para tudo. No mercado, é mais importante que se tenha para quem vender e se apresente preço. Mas foi muito importante, porque é uma ferramenta que nos vem auxiliar.

O deputado Adolfo Brito também está trabalhando muito, e acredito nisto, bem como todos nós, que não adianta só a luz: precisamos de energia trifásica na agricultura, para que se possa ter uma pequena empresa lá, para que se possa manter a família, para que se possa produzir algo e obter mais renda. Pois o que interessa é o dinheiro que vai para o bolso do trabalhador, não o que vai para o governo.

Agora, cito que, nos últimos quatro anos, no governo passado se tentou, por duas vezes, passar uma lei aqui. V. Exa. estava na Fetag e me ajudou, bem como o deputado Heitor Schuch. Tratava-se do regramento da utilização da água na propriedade, com manejo. Teria de ser feito o planejamento de manejo sobre qualquer açude ou sobre os poços da água que consumimos.

Graças a Deus conseguimos derrubar isso, mostrando que não era possível. Temos regras demais. Precisamos poder trabalhar, e, por meio do trabalho, conseguir o sustento da nossa família.

Em nome da bancada do Partido Progressista, parabenizo V. Exa. pelo importante trabalho que realiza e pela sua motivação à frente dos nossos produtores.

A Sra. Liziane Bayer (PSB) – V. Exa. permite um aparte? (assentimento do orador)

Saúdo o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Edson Brum; o deputado federal Heitor Schuch, companheiro de bancada e também ex-presidente da Fetag; o presidente da Fetag, Carlos Joel da Silva; o vice-presidente Nelson Wild; as diretoras da Fetag, Elisete e Juliana, que representam aqui todas as mulheres agricultoras. Parabéns pela luta, sabemos da importância da mulher na agricultura familiar.

Deputado Elton Weber, companheiro de bancada e nosso líder, em nome da bancada do PSB, cumprimento V. Exa. pelo grande expediente.

O tema é de grande relevância e importância para todos nós que nascemos na agricultura, na roça. Tenho muito orgulho da minha São Pedro do Sul, do meu Cerro Baltazar. Eu, que nasci na agricultura, e a família que vive da agricultura até hoje sabemos da importância que a agricultura tem no nosso Estado. As famílias que preservam a cultura de manter a agricultura familiar como base do nosso Estado merecem, no dia de hoje, serem lembradas e homenageadas pelo seu grande expediente e pelo seu trabalho.

Cumprimento a todos os presentes por essa luta de grande importância.

Muito obrigada.

O Sr. Enio Bacci (PDT) – V. Exa. permite um aparte? (assentimento do orador)

Em nome da bancada do PDT, saúdo e cumprimento V. Exa. pelo trabalho que vem realizando nesta Casa. Estendo a saudação a todas as lideranças da Fetag presentes, ao presidente da Casa e a todos os parlamentares.

Às vezes me surpreendo, deputado, quando acompanho governos, tanto federal, estaduais e até mesmo prefeitos, fazendo grandes investimentos, abrindo mão de recursos, para trazer empresas para gerar empregos. Muitas vezes gastam pequenas fortunas, recursos que o poder público não tem, para viabilizar a vinda de uma empresa que vai gerar 50, 100, 200 empregos e que não dá garantia nenhuma de que em 2 ou 3 anos não feche as porta e vá embora.

Parece que alguns não perceberam que a maior fonte geradora de emprego é a agricultura. Se quisermos realmente viabilizar mão de obra, sobrevivência, condições de sustentabilidade ao nosso País, país grandioso, temos de produzir alimentos para o mundo. Não tenho dúvidas de que precisamos dar condições para isso. E essas condições começam ali pela infraestrutura básica. O produtor primário tem de ter escola para os seus filhos, um bom atendimento de saúde, segurança pública.

Cada vez aumenta mais a criminalidade no campo. Pessoas são sequestradas, amarradas, torturadas, porque alguns delinquentes querem achar algum dinheiro embaixo do colchão. Então, violência não é só o abigeato. A violência, que antes estava nas cidades, nos grandes centros urbanos, hoje está indo para o interior.

Essa infraestrutura básica, essencial, ela precisa existir para garantir que o filho do produtor também mantenha os vínculos com a sua terra. Por isso tudo, o Grito da Terra Brasil tem e vai continuar tendo um papel fundamental, não tenho dúvidas disso.

Mesmo sem ter um vínculo direto com a luta de todos os senhores, saibam que sou um parceiro. Podem contar comigo e com a minha bancada do PDT.

O Sr. Juliano Roso (PCdoB) – V. Exa. permite um aparte? (assentimento do orador)

Saúdo o deputado Ronaldo Santini, que ora preside a sessão; o secretário Tarcísio Minetto, presente em várias atividades; o presidente da Fetag, Sr. Carlos Joel da Silva; o deputado federal Heitor Schuch; os companheiros dos sindicatos de Pontão e de Passo Fundo e, por extensão, a todos que vieram para cá hoje.

V. Exa., deputado Elton Weber, muito bem representa nesta Casa a agricultura familiar do Rio Grande do Sul. V. Exa. tem feito ecoar o grito da terra não só no dia do Grito da Terra Brasil, mas em todas as sessões e comissões desta Casa.

Os companheiros que aqui estão, que representam o Sindicato dos Trabalhadores Rurais, a Fetag e a Contag, precisam saber o papel que V. Exa. tem cumprido neste Parlamento. Em todas as sessões, em todas as comissões permanentes, em todos os debates, V. Exa. é a voz que defende, de forma intransigente, o agricultor familiar do Rio Grande do Sul.

Venho aqui para cumprimentar V. Exa. pelo papel que tem desempenhado. Saiba que este deputado e a deputada Manuela d’Ávila, minha líder que me pediu para fazer esta intervenção, estamos à disposição do trabalhador do campo, do homem do campo, do pequeno proprietário, da Fetag, da Contag e dos sindicatos.

Assim como V. Exa., muitos deputados desta Casa têm vínculo, base, ligação com o campo gaúcho. Tenho certeza, deputado Elton Weber, que V. Exa. terá grandes vitórias, que também compartilharemos.

É preciso manter o homem no campo. É preciso fortalecer a luta do trabalhador rural, do pequeno proprietário. E isso passa pela Assembleia Legislativa, passa por aquilo que V. Exa. vem fazendo. Parabéns, deputado! E viva o campo gaúcho!

O Sr. Sérgio Peres (PRB) – V. Exa. permite um aparte? (assentimento do orador)

Quero aqui parabenizá-lo, deputado Elton Weber. V. Exa. é um homem que defende a agricultura, a agropecuária, o campo.

Saúdo o deputado Ronaldo Santini, que ora preside a sessão; o nosso deputado federal Heitor Schuch, que muito nos honrou nesta Casa e no Estado; o deputado Elton Weber; a todos os senhores e senhoras já nominados; e os agricultores rurais que aqui estão.

Deputado Elton Weber, são os agricultores que sustentam as cidades. Sou lá do interior, de Caraá, que o senhor deve conhecer, onde não há um metro de asfalto. Fui criado com 16 irmãos, mas nunca passei fome.

Cinco anos atrás foi publicada uma pesquisa mostrando que, pela renda, Caraá é o Município mais pobre do Rio Grande do Sul, mas, andando por lá, não se vê nenhuma pessoa pedindo alimento. Ainda hoje as ruas são de chão batido, banhado, mas o homem do campo, que trabalha na agricultura familiar, tira da terra o seu sustento. É aí que se vê a importância da terra. É ela que tem dado a nós, da cidade, o sustento do dia a dia.

Parabenizo V. Exa. por este evento. Vamos lutar juntos pelo cooperativismo e para que os governos, tanto o federal, como o estadual e municipais, incentivem para que haja o custeio e juros mais baixos, de forma a garantir que a nossa agricultura se fortaleça, porque o nosso Estado e o nosso País vivem do homem do campo. Se massacrarmos o homem do campo, se não lutarmos, certamente faltará o sustento na cidade e aumentarão a violência e a pobreza.

Temos de garantir que o homem do campo possa estudar, ter acesso à tecnologia e a avanços para que possa produzir mais.

Vida longa e sucesso! Muito obrigado.

O SR. ELTON WEBER (PSB) – Obrigado, deputado Sérgio Peres, pelas suas palavras.

O Sr. Aloísio Classmann (PTB) – V. Exa. permite um aparte? (assentimento do orador)

Cumprimento o deputado Ronaldo Santini, que preside os trabalhos; com muito carinho, o deputado federal Heitor Schuch, que já foi nosso colega nesta Casa e parceiro de muitas lutas a favor da agricultura do Rio Grande do Sul; o presidente da Fetag, Carlos Joel da Silva, na pessoa de quem cumprimento a todos os diretores da Fetag neste momento tão importante do Parlamento gaúcho; o Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lagoa Vermelha – terra do nosso deputado Ronaldo Santini, cujo avô, que partiu há poucos instantes, é um dos fundadores desse sindicato –, na pessoa de quem cumprimento a todos os presidentes de sindicatos e dirigentes que aqui nos prestigiam.

Não poderia deixar de fazer um agradecimento especial ao nosso querido secretário de Estado do Desenvolvimento Rural e Cooperativismo, Tarcísio Minetto, que é um profundo conhecedor daquilo que estamos tratando, nesta homenagem.

Cumprimento também, com muito carinho, meu colega deputado Elton Weber. V. Exa. foi conduzido pelo voto popular e está junto conosco, debatendo os temas da nossa agricultura. Que bom tê-lo conosco. Há vários deputados ligados à nossa agricultura, ao agronegócio, e a sua chegada aqui é muito importante pela sua experiência, de onde veio, para podermos avançar nas políticas agrícolas do nosso Estado.

Quero também fazer um registro todo especial – porque sou do meio rural, tenho a minha família no interior – aos conterrâneos de toda a nossa região que aqui estão, da região de Santa Rosa, da Região Celeiro, das Missões, do Alto Uruguai, enfim, fazendo o registro em nome da bancada do PTB, na condição de líder do Partido Trabalhista Brasileiro.

Defendemos o capital e o trabalho – com os deputados Ronaldo Santini, Maurício Dziedricki, Luis Augusto Lara e Marcelo Moraes –, e coordeno duas frentes importantes, da suinocultura e do setor leiteiro, que tratam da comida na mesa do povo brasileiro. Avançamos muito e temos que avançar mais.

Poderia citar tantas outras coisas, mas quero cumprimentá-lo por nos dar a oportunidade de fazermos o nosso pronunciamento e de podermos dizer que os governos precisam ouvir as nossas vozes, os nossos agricultores, porque os agricultores sabem da hora de plantar, da hora de colher, da hora de negociar o seu produto.

Os governos não precisam e não podem atrapalhar os nossos colonos, porque eles sabem manusear, sabem trabalhar, já sofreram muito no cotidiano, nesses anos todos. Por isso, nós nos somamos, nos solidarizamos. Estamos juntos nesse grande movimento, nessa luta, nessa batalha.

Muito obrigado.

O SR. ELTON WEBER (PSB) – Muito obrigado, deputado Aloísio Classmann.

Quero cumprimentar agora o deputado Ronaldo Santini, que dirige os trabalhos; e o secretário Tarcísio Minetto, que chegou junto à mesa desta Assembleia Legislativa.

Após o Grito de Alerta missioneiro, no dia 7 de maio, tivemos mais uma atividade alusiva ao Grito da Terra, do movimento sindical, para 2015, no Município de Santa Maria, em que, no dia 20 de maio, mais de 3 mil pessoas se reuniram, na mesma data em que era feito o Grito da Terra nacional, em Brasília.

No dia de hoje, 1º de julho de 2015, os agricultores, os pecuaristas familiares e os assalariados rurais encerram a edição do 21º Grito da Terra estadual, com a certeza do papel a desempenhar na sociedade gaúcha e brasileira.

Educação para o meio rural, sucessão rural, menos burocracia, menos taxas de impostos, mais infraestrutura, melhores financiamentos e mais renda é que farão a sucessão rural.

Deixarei com a Presidência desta Casa a pauta do Grito da Terra estadual e, depois, junto com um folder, a enviaremos a todos os deputados e deputadas.

Agradeço a todas as bancadas e a todos os deputados e deputadas que aqui se manifestaram, valorizando e destacando a importância da atividade realizada no dia de hoje e dos 21 anos do Grito da Terra Brasil.

Foi referido por vários deputados que muitas vezes temos questões controversas. No caso do pão, que tem sua origem no trigo, os impostos, a indústria, o comércio e os intermediários ficam com 94%; no caso do arroz, são 74% entre impostos, intermediários e indústria.

Com certeza, precisamos também avançar na questão da renda.

Faço aqui uma observação que pode não agradar a todos. Muitas vezes, os meios de comunicação dizem que a inflação aumentou em função da cesta básica, do alimento, seja porque o preço do tomate aumentou de 5 reais para 6 reais ou porque o saco de cinco quilos de arroz subiu 2 reais. Não concordo que se utilize desse tipo de mecanismo, colocando o alimento, que, na minha opinião, é sagrado, como indutor da inflação. Há muitas outras coisas que deveriam ser observadas antes de se propagandear, de forma negativa, quando há aumento do preço de um produto, que é o alimento produzido pelos agricultores.

Agradeço a todos os agricultores e agricultoras que vieram aqui nesta tarde de todos os recantos do Estado, do norte, do sul, do leste, do oeste e do centro, por, mais uma vez, terem atendido ao chamamento do movimento sindical para participarem do Grito da Terra.

Ao mesmo tempo, desejo longa vida ao Grito da Terra, porque tem sido o momento em que tratamos de pautas e da implementação de políticas.

Companheiros e companheiras, vamos em frente porque a luta e o trabalho continuam.

Com a permissão do presidente Ronaldo Santini, convido a todos os que estão nas galerias a repetirem estas palavras: se o agricultor não planta, a cidade não almoça e não janta.

Viva os agricultores e agricultoras! (Não revisado pelo orador.)